Contra o imperialismo ultradireitista de Trump. Em defesa dos povos da Ucrânia e da Palestina

Por Miguel Lamas, dirigente da UIT-QI

 

Com seu giro político, avalizando a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin e lançando uma “guerra” tarifária contra aliados capitalistas de longa data (Canadá, México e União Europeia), Donald Trump está ampliando a crise da ordem mundial capitalista-imperialista. Ela está buscando recuperar o poder absoluto de pilhagem e subjugação do mundo do imperialismo estadunidense. Nesse contexto, está tentando derrotar os povos da Ucrânia e da Palestina.

Ele também está ameaçando derrubar os direitos conquistados pelos trabalhadores americanos, desmantelar a saúde pública e avançar contra a democracia e todos os direitos civis. Além disso, anunciou a expulsão de trabalhadores imigrantes, que foram explorados durante anos com baixos salários nos Estados Unidos.

O objetivo é tentar superar a crise de dominação dos EUA e a “desordem mundial”. Embora o imperialismo estadunidense tenha permanecido hegemônico desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ele está hoje muito enfraquecido. Especialmente desde seus reveses militares, com a derrota histórica no Vietnã em 1975 e os repetidos fracassos que se seguiram, como a retirada desastrosa do Afeganistão, após 20 anos de ocupação, sem nenhum resultado positivo. Isso se combina com o agravamento da crise econômica capitalista, desde de 2007-2008, que não foi superada. O próprio Trump disse ao assumir o cargo: “Hoje terminou o declínio dos Estados Unidos”, reconhecendo a crise vivida pelo país, mas afirmando que irá resolvê-la. A “solução” é uma ameaça de invasões e saques em todo o mundo. Porém, com tal guinada política, ele está conseguindo aprofundar a “desordem mundial” e ampliar a crise do sistema capitalista-imperialista.

O pacto com Putin para dividir a Ucrânia

Trump iniciou negociações diretas com Putin, deslegitimando Volodymyr Zelensky e acusando-o de ser um “ditador” e “responsável pela guerra”. Ele está tentando esconder a invasão russa de 24 de fevereiro de 2022 e pressionando pela divisão da Ucrânia entre a Rússia e seu país, deixando de lado o imperialismo europeu, que seria excluído da partilha.

Dessa forma, Trump está virando o tabuleiro e quebrando os acordos inter-imperialistas, que datam do período pós-Segunda Guerra Mundial, colocando até mesmo em questão a própria OTAN. Trump está tentando um pacto com Putin e com a Rússia, para estabelecer novas esferas de influência, enquanto os choques comerciais com a China continuam.

A Rússia ficaria com 20% do território, que já invadiu, além da Crimeia, ocupada em 2014. E os Estados Unidos transformariam a Ucrânia em sua própria semi-colônia, com um contrato para explorar as riquezas minerais, as “terras raras” e outros bens valiosos, alegando que é para ressarcir a ajuda militar limitada fornecida durante os três anos de guerra e ignorando completamente a União Europeia (UE).

Dessa forma, Trump se tornou cúmplice direto da invasão da Ucrânia por Putin e dos massacres, opressão e pilhagem do povo ucraniano.

Trump apoia o plano genocida da “Grande Israel” de Netanyahu

Apesar das quase 50.000 mortes em Gaza, como resultado dos bombardeios criminosos e da invasão sionista, o povo palestino continua resistindo. Israel vem ocupando e bombardeando há mais de um ano o território, buscando uma “limpeza étnica”. Porém, o sionismo expansionista não atingiu seu objetivo de acabar com o Hamas e com a resistência. Israel teve que negociar um “cessar-fogo” e libertar mais de 600 dos 10.000 prisioneiros palestinos, em troca de 90 prisioneiros israelenses detidos em Gaza. Foi um triunfo da heróica resistência palestina.

Israel também teve que retirar suas tropas do Líbano, apesar dos golpes que conseguiu infligir ao Hezbollah e ao povo libanês.

Logicamente, a trégua é frágil. A luta segue em aberto, e Israel lançou agora uma contra-ofensiva na Cisjordânia, parte do seu plano de construir a “Grande Israel”. E Trump se juntou a Benjamin Netanyahu no impulsionamento da política de deslocamento da população palestina para países árabes, como Egito e Jordânia. Ele disse cinicamente que transformaria Gaza num destino turístico.

Foi o povo palestino de Gaza que, com suas ações, respondeu a Trump, deixando evidente que não tem a intenção de deixar a região. E centenas de milhares de pessoas, famílias inteiras, retornaram para suas casas, muitas delas destruídas, no norte de Gaza, de onde Israel as havia expulsado. “Gaza é o nosso lar”, afirmaram abertamente os palestinos. Seu retorno é a derrota do sionismo e de Trump. É uma expressão da heróica resistência palestina.

Os governos burgueses árabes do Egito, da Jordânia e da Arábia Saudita rejeitaram a expulsão dos palestinos de Gaza, que foi repudiada por suas populações.

Ao assumir a política da “Grande Israel”, Trump abandonou a diretriz imperialista anterior de “dois Estados”, que estava em vigor desde a fundação de Israel. Ela era a política imperialista para dominar o Oriente Médio. Embora a política dos “dois Estados” seja falsa, ela foi concebida para legitimar a existência de Israel. Israel nunca aceitou um Estado palestino e confinou os palestinos em Gaza e na Cisjordânia (22% de seu território histórico). Agora com a “Grande Israel”, Netanyahu e Trump querem expulsar todos os palestinos de Gaza e da Cisjordânia.

Solidariedade com os povos palestino e ucraniano

Contra a ofensiva da extrema-direita imperialista internacional, liderada por Trump, há uma forte resistência popular, que deve continuar a ser impulsionada.

Seguimos com nossa campanha de solidariedade à resistência do povo ucraniano, sem dar apoio político a Zelensky e dizendo: não à OTAN! Fora tropas russas da Ucrânia! Não à pilhagem imperialista da Ucrânia!

Solidariedade com a resistência palestina em Gaza e na Cisjordânia! Não à ameaça de Trump de intervenção militar em Gaza! Rejeição total à limpeza étnica anunciada por Trump! Apelamos à ampla unidade de ação internacional, para reavivar as grandes mobilizações globais. Por uma Palestina livre, do rio ao mar.

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